A cafeína saiu da xícara: novas formas de buscar energia ganham espaço no Brasil
O café continua gigantesco no Brasil. Mas há um movimento curioso acontecendo ao redor da xícara: o brasileiro pode até estar tomando um pouco menos de café, mas encontrou muito mais maneiras de consumir cafeína.
Em 2025, o país consumiu 21,4 milhões de sacas de café e permaneceu como o segundo maior mercado consumidor mundial. O faturamento da indústria brasileira chegou a R$ 46,24 bilhões, crescimento de 25,6% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) apresentados pela Caffeine Army.
Em volume, porém, aconteceu o contrário. O consumo recuou 2,31%, enquanto o consumo per capita de café torrado e moído caiu 3,88%, chegando a 4,82 quilos por habitante ao ano.
O preço ajuda a explicar parte desse movimento. Mas a transformação também pode ser vista nas prateleiras: café coado e espresso agora dividem a função de “dar energia” com energéticos, matcha, mate, chá preto, bebidas prontas e suplementos com cafeína.
No Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro, vale olhar justamente para o que está acontecendo fora da xícara tradicional.
Menos café não significa necessariamente menos cafeína
Uma pesquisa encomendada pela ABIC ao Instituto Axxus apontou que 24% dos entrevistados afirmaram ter reduzido o consumo de café. Em outro levantamento, realizado pela Ticket com mais de 3,3 mil pessoas, 12% disseram não consumir a bebida.
Enquanto isso, o mercado de energéticos ampliou sua presença.
Segundo dados da Kantar citados no material, a categoria alcançou 38% dos domicílios brasileiros em 2024. No consumo fora de casa, ganhou aproximadamente 9 milhões de novos compradores e chegou a 22% dos brasileiros.
Há outro dado interessante: dentro dos lares, o crescimento não ficou restrito aos consumidores mais jovens. A expansão também teve participação relevante das classes AB com mais de 40 anos.
É uma mudança importante porque desloca a discussão de “quem toma energético” para em quais momentos as pessoas procuram cafeína.
Trabalho, estudo, treino e início da manhã agora podem ser atendidos por produtos bastante diferentes.
Café, matcha, mate e energético entregam a mesma coisa?
Não exatamente.
Todos podem fornecer cafeína, mas isso não torna as bebidas nutricional ou sensorialmente equivalentes.
Uma xícara de café, um matcha, um chá preto e uma lata de energético podem apresentar quantidades bastante diferentes de cafeína, além de composições próprias.
E até dentro da mesma categoria existem variações.
No café, espécie do grão, quantidade utilizada, método de preparo e volume servido interferem na dose final. Em energéticos e suplementos, é necessário consultar a quantidade declarada no rótulo.
Portanto, trocar três cafés por três bebidas cafeinadas não significa necessariamente manter o mesmo consumo de cafeína.
A fonte mudou. A dose também pode mudar.
O café funcional cria outra categoria de consumo
É nesse território que entram produtos como o SuperCoffee, da Caffeine Army.
Embora tenha café na composição e carregue a bebida no próprio nome, ele não deve ser confundido simplesmente com café torrado e moído.
Trata-se de um suplemento alimentar que combina café com outros ingredientes e é apresentado pela marca como produto voltado a energia e diferentes ocasiões da rotina.
Essa distinção importa.
Um café coado pode ser escolhido pelo grão, pela origem, pela torra ou simplesmente pelo prazer daquele ritual. Já produtos funcionais acrescentam outra camada à decisão de compra: composição nutricional, dose, conveniência e finalidade de consumo.
É um mercado que aproxima gastronomia, suplementação e estilo de vida.
Creme de avelã, Língua de Gato e proteína
Entre as opções atualmente apresentadas pela Caffeine Army está o SuperCoffee Creme de Avelã, vendido em embalagem de 380 g por R$ 216,90.
Segundo a fabricante, a fórmula reúne 20 ingredientes combinados ao café. O perfil de avelã leva a bebida para um repertório sensorial bastante diferente de um espresso ou coado tradicional.
O SuperCoffee Chocolate Língua de Gato, também com 380 g e preço informado de R$ 226,90, rende 38 doses segundo a marca.
Já o SuperCoffee Protein+ Iced Cappuccino, de 465 g e R$ 249,90, acrescenta proteína à proposta. A formulação é descrita como zero lactose e contém fibras, vitaminas e minerais.
A marca atribui ao produto benefícios relacionados a construção e preservação muscular, saúde intestinal, saciedade, foco cognitivo e energia. Essas são alegações fornecidas pela fabricante e não devem ser interpretadas como equivalência entre o suplemento e uma refeição completa ou como indicação individual de uso.
A dose merece mais atenção do que o formato
A multiplicação de produtos cafeinados traz uma questão prática.
Quando a cafeína vinha principalmente do cafezinho, era relativamente fácil identificar sua presença na rotina. Hoje ela pode aparecer pela manhã no café, à tarde em um energético, antes do treino em um suplemento e ainda estar presente no chá consumido à noite.
A cafeína continua sendo cafeína independentemente da embalagem.
Por isso, quem consome diferentes fontes ao longo do dia precisa observar quanto cada produto fornece por porção e qual é o consumo acumulado.
A sensibilidade também varia bastante entre indivíduos. Horário de consumo, quantidade e características pessoais podem interferir na resposta e até no sono.
E onde fica o café nessa história?
Provavelmente no mesmo lugar de sempre, mas agora acompanhado.
Há uma diferença entre buscar cafeína e querer café.
Quem prepara um coado pela manhã pode estar procurando estímulo, mas também aroma, temperatura, sabor e um ritual repetido há anos. Um energético gelado antes do treino cumpre outra função. Um matcha oferece outro repertório sensorial. Um suplemento funcional entra com outra proposta.
É por isso que a expansão dessas categorias não precisa significar o desaparecimento do cafezinho.
Ela revela algo mais interessante: energia virou uma ocasião de consumo própria, disputada por uma quantidade crescente de produtos.
No Dia Internacional do Café, talvez a mudança mais curiosa esteja justamente aí.
A cafeína continua presente. Só já não cabe inteira dentro de uma xícara.
Produtos citados
SuperCoffee Creme de Avelã
380 g | R$ 216,90
SuperCoffee Chocolate Língua de Gato
380 g | R$ 226,90
Rendimento informado: 38 doses
SuperCoffee Protein+ Iced Cappuccino
465 g | R$ 249,90
Suplemento com proteína, fibras, vitaminas e minerais, descrito pela fabricante como zero lactose.
Preços e características informados pela marca no material de divulgação.