Do extraforte aos cafés de origem: como o gosto do brasileiro pelo café está mudando

 Do extraforte aos cafés de origem: como o gosto do brasileiro pelo café está mudando

O brasileiro continua gostando de café forte. Mas basta olhar para a prateleira para perceber que “forte” deixou de ser a única informação usada para escolher o que vai para a xícara.

Origem, notas de chocolate, mel, castanhas ou caramelo, diferentes intensidades e métodos de preparo passaram a dividir espaço com classificações tradicionais como Tradicional e Extraforte.

No Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro, o portfólio do Café União oferece um bom retrato dessa transformação. A marca, que voltou ao segmento em 2022, começou justamente pelos perfis mais familiares ao consumidor brasileiro e, nos anos seguintes, avançou para cafés de origem e cápsulas.

A mudança diz bastante sobre como aprendemos a comprar e perceber café.

Afinal, intensidade significa café melhor?

Não.

E essa distinção é importante diante de embalagens que apresentam números como 8, 10 ou 12.

Intensidade não é uma escala de qualidade.

De maneira geral, essa indicação procura comunicar a percepção de força daquela bebida, influenciada por fatores como torra, amargor, corpo e concentração. Portanto, um café de intensidade 12 não é necessariamente superior a um de intensidade 8.

O que muda é o perfil esperado na xícara.

No portfólio da União, por exemplo, o Tradicional tem intensidade 8, enquanto o Extraforte chega a 10 e é direcionado a quem prefere aromas e sabores mais intensos.

Essa linguagem conversa diretamente com um hábito brasileiro bastante consolidado: o café coado de sabor marcante, muitas vezes consumido com açúcar.

Quando a origem começa a aparecer na embalagem

Em 2024, a União ampliou o portfólio com uma linha Gourmet baseada em três origens brasileiras: Cerrado Mineiro, Mogiana Paulista e Sul de Minas.

É uma mudança interessante porque desloca a conversa da intensidade para o lugar onde o café foi produzido.

Segundo as descrições divulgadas pela marca, o Cerrado Mineiro apresenta notas de chocolate, caramelo e nozes. O Mogiana Paulista traz chocolate, nozes e mel. Já o Sul de Minas é descrito com chocolate, castanha e amêndoa.

Quando uma embalagem fala em chocolate, mel ou nozes, isso não significa necessariamente que esses ingredientes foram adicionados ao café.

São referências utilizadas para descrever aromas e sabores percebidos sensorialmente na bebida.

E começar a identificar essas diferenças é um dos caminhos para sair da ideia de que café deve ter apenas “gosto de café”.

De onde vem o sabor de um café?

A região de cultivo é uma das variáveis, mas está longe de trabalhar sozinha.

Variedade da planta, altitude, clima, solo, maturação do fruto, processamento, armazenamento e torra interferem na matéria-prima antes mesmo de ela chegar à cozinha.

Depois entram moagem, quantidade de café, água, temperatura e método de extração.

Por isso, origem funciona como uma informação importante, mas não como promessa automática de determinado sabor.

É justamente a soma dessas variáveis que permite encontrar cafés mais achocolatados, frutados, florais, doces ou com diferentes percepções de acidez e corpo.

Cápsulas ampliam outro hábito

Em 2025, o Café União entrou também no segmento de cápsulas com cinco opções: Velluto, Clássico, Ristretto, Amaro e Decaffeinato.

As intensidades declaradas variam de 8 a 12.

O Velluto é descrito pela marca com notas doces e frutadas, enquanto o Amaro segue um perfil de notas tostadas e chocolate amargo. O portfólio inclui ainda o Decaffeinato, com referências de chocolate amargo e castanha.

A entrada nesse formato mostra outra transformação no consumo doméstico. Ao lado do café passado em maior quantidade, máquinas de cápsulas incorporaram a lógica da dose individual e da repetibilidade: uma porção, uma extração e uma bebida preparada rapidamente.

São rituais diferentes convivendo na mesma cozinha.

O café continua mudando. O ritual permanece.

O café chegou ao Brasil no século XVIII e atravessou diferentes momentos da história econômica e social do país até se tornar parte do cotidiano.

A própria União ajuda a mostrar como esse hábito se transforma. Presente há mais de um século nas cozinhas brasileiras principalmente pela relação com o açúcar, a marca retornou ao mercado de cafés em 2022.

Primeiro vieram Tradicional e Extraforte. Depois, cafés identificados por suas regiões de origem. Na sequência, cápsulas com diferentes perfis sensoriais.

É uma evolução que acompanha um consumidor exposto a um vocabulário cada vez maior para falar da mesma bebida.

Isso não significa que todo mundo precise abandonar o café extraforte para procurar notas florais ou decorar regiões produtoras.

Mas saber que intensidade, origem e qualidade são informações diferentes já muda bastante a maneira de olhar para uma embalagem.

No fim, o café pode continuar sendo aquele passado de manhã e servido ainda quente na cozinha.

A diferença é que hoje sabemos fazer mais perguntas antes de colocar a água para ferver.

Café União

Tradicional: intensidade 8, com aroma e sabor marcantes
Extraforte: intensidade 10, com perfil mais intenso

Linha Gourmet
Cerrado Mineiro: chocolate, caramelo e nozes
Mogiana Paulista: chocolate, nozes e mel
Sul de Minas: chocolate, castanha e amêndoa

Cápsulas: Velluto, Clássico, Ristretto, Amaro e Decaffeinato
Intensidades: de 8 a 12