Restaurante simples pode impressionar mais o Michelin do que casas milionárias, diz chef brasileira

 Restaurante simples pode impressionar mais o Michelin do que casas milionárias, diz chef brasileira

Toalha impecável, salão milionário e experiência luxuosa nem sempre significam vantagem dentro do Guia Michelin. Segundo a chef brasileira Cândida Batista, atualmente integrante da equipe do Apron, um restaurante pequeno e sem excessos pode chamar mais atenção dos inspetores do que casas extremamente sofisticadas, desde que exista consistência, identidade e técnica no prato.

A chef afirma que ainda existe uma visão distorcida sobre o que realmente pesa na avaliação do Michelin. Para ela, muitos consumidores associam automaticamente o guia ao luxo, quando o foco principal está na execução da cozinha.

“O cliente pode até se impressionar com o luxo, mas o Michelin presta atenção no que acontece dentro do prato. Não adianta servir uma experiência bonita uma única vez e não conseguir repetir aquilo todos os dias. O guia valoriza muito regularidade, identidade e técnica. Tem restaurante pequeno que consegue impressionar muito mais do que lugares milionários”, afirma.

Segundo Cândida, um dos maiores desafios para restaurantes reconhecidos pelo guia não é conquistar atenção em uma única noite, mas sustentar o mesmo padrão diariamente. A pressão constante dentro dessas cozinhas está diretamente ligada à repetição precisa da experiência.

“Uma noite brilhante não garante nada dentro do Michelin. O mais difícil nunca foi impressionar uma vez, e sim conseguir manter o mesmo padrão sem cair a qualidade”, explica.

Outro ponto destacado pela chef envolve um dos mitos mais comuns da gastronomia contemporânea, a ideia de que a estrela acompanha automaticamente o chef. Para ela, o Michelin observa o restaurante como um organismo completo, incluindo equipe, execução, regularidade e funcionamento da operação.

“Muita gente acha que a estrela acompanha o chef para qualquer lugar, mas o Michelin observa o restaurante como um todo. Uma troca de equipe ou uma queda na execução podem mudar tudo. No fim, o mais difícil nunca foi impressionar uma vez, e sim repetir excelência todos os dias”, conclui.

No Brasil, restaurantes como o Tuju, reconhecido com duas estrelas Michelin, ajudam a mostrar como técnica, identidade autoral e consistência seguem sendo fatores centrais para o reconhecimento gastronômico internacional.