Pullman Ibirapuera estende carta especial com seis versões de Negroni até outubro
A Negroni Week termina. Os Negronis, não. O Pullman São Paulo Ibirapuera decidiu estender até o fim de outubro a carta criada para a celebração mundial do coquetel italiano, originalmente prevista para permanecer no bar apenas em setembro.
São seis versões do Negroni, entre a receita clássica e cinco interpretações desenvolvidas pelo chef de bar Gustavo Rômulo. Cada uma parte de um destino diferente e usa ingredientes como jabuticaba, tucupi negro, Earl Grey, pistache, manga e tamarindo para mexer na estrutura de um dos coquetéis mais reconhecíveis do mundo.
Os preços ficam entre R$ 48 e R$ 54.
A extensão é uma boa oportunidade para provar as receitas com mais calma, especialmente porque a proposta não está simplesmente em adicionar sabores ao trio de gin, Campari e vermute. Algumas versões praticamente desmontam a fórmula original para reconstruí-la a partir de outros ingredientes.
De Florença para São Paulo
O ponto de referência da degustação é o Classic Negroni (R$ 48), preparado com gin, Campari e vermute doce.
A fórmula tradicional é importante para entender as cinco releituras seguintes. O Negroni trabalha essencialmente com três forças: o caráter botânico e alcoólico do gin, o amargor do Campari e a doçura aromática do vermute.
A partir daí, Gustavo Rômulo começa a mudar o mapa.
Inspirado no próprio Pullman São Paulo Ibirapuera, o Botânico (R$ 52) reúne gin, Campari, vermute seco, garden elicitor e jabuticaba.
A fruta brasileira é uma escolha interessante para conversar com o coquetel. Sua combinação de acidez, doçura e leve adstringência pode trabalhar justamente sobre o amargor característico do Negroni sem simplesmente escondê-lo.
Tucupi e cupuaçu levam o Negroni para a Amazônia
A interpretação mais brasileira da seleção talvez seja o Amazo Punch (R$ 52), inspirado no Pullman Lima Miraflores.
A receita reúne Campari, vermute seco, tucupi negro, tucupi, cupuaçu, abacaxi e Luxardo Maraschino.
É também uma das combinações que mais se distancia da construção clássica.
Tucupi acrescenta acidez e caráter fermentado, enquanto cupuaçu e abacaxi trazem uma dimensão tropical bastante evidente. O Luxardo Maraschino entra com doçura e notas aromáticas que ajudam a amarrar uma lista de ingredientes de personalidade forte.
Mais do que perguntar se ainda é um Negroni no sentido estrito, vale observar como a receita usa o clássico como ponto de partida para outra linguagem de coquetelaria.
Chá, maracujá e pimenta na passagem pela Inglaterra
Inspirado no Pullman Liverpool, o Stg Peppers (R$ 52) mistura gin, Campari, Earl Grey, maracujá, chilli e espumante.
O chá acrescenta notas cítricas e florais características da bergamota, enquanto maracujá trabalha acidez e perfume. A pimenta adiciona calor e o espumante altera também a textura da bebida.
É uma interpretação em que o Negroni começa a ganhar outra dinâmica no copo, mais aromática e refrescante do que a receita tradicional.
Pistache encontra Campari
Dubai inspira uma das combinações mais inesperadas da carta.
O Pistachio Negroni (R$ 54) leva gin, Campari, vermute tinto, pistache, pistache branco e chocolate.
Pistache e chocolate aproximam a bebida de referências normalmente associadas à confeitaria, colocadas aqui diante do amargor do Campari.
É justamente uma das receitas que mais desperta curiosidade técnica. Ingredientes de perfil cremoso, tostado e adocicado precisam encontrar espaço dentro de um coquetel cujo equilíbrio depende fortemente do amargor. A graça está em descobrir até onde a releitura consegue avançar sem perder completamente a identidade que a originou.
Bangkok fecha a viagem com bourbon, manga e tamarindo
No Spicy Thai Trip (R$ 54), inspirado no Pullman Bangkok King Power, o gin deixa a receita.
Entram bourbon Wild Turkey, Campari, Jerez Oloroso, manga, tamarindo, cardamomo e chilli.
O bourbon desloca a base aromática para notas mais amadeiradas e adocicadas. O Jerez acrescenta complexidade oxidativa, enquanto manga e tamarindo criam outro jogo entre doçura e acidez. Cardamomo e chilli completam a camada de especiarias.
Das cinco releituras, é provavelmente a que deixa mais evidente que a proposta do menu não pretende preservar uma fórmula rígida, mas investigar até onde a memória sensorial do Negroni pode ser levada.
Um petisco pensado para o amargor do drink
A experiência foi construída também para chegar à comida.
A cada dois Negronis consumidos, o cliente recebe o Crocante Mediterrâneo, criado pelo chef executivo Pedro Franco. O acompanhamento reúne crocante de focaccia, geleia de laranja, espuma de parmesão e tapenade de azeitona verde.
A composição faz sentido ao lado do coquetel. Parmesão e azeitona acrescentam gordura, umami e salinidade, enquanto a laranja cria uma ponte aromática com o perfil cítrico e amargo normalmente encontrado no Negroni.
Durante a ação, os clientes recebem ainda um passaporte físico carimbado conforme avançam pelas receitas. Com quatro drinks, há um brinde da Negroni Week enquanto durarem os estoques. Quem completar as seis versões será convidado para uma experiência com Gustavo Rômulo em outubro, ainda sem data divulgada.
Quando uma releitura ainda pode ser chamada de Negroni?
É uma discussão interessante provocada pela própria carta.
A receita clássica é concisa: gin, bitter italiano e vermute tinto doce em partes iguais. Justamente por ter uma identidade tão definida, qualquer alteração importante aparece imediatamente no copo.
Trocar o gin por bourbon, introduzir tucupi ou acrescentar pistache e chocolate inevitavelmente afasta algumas dessas bebidas da fórmula tradicional.
Mas é aí que a seleção do Pullman fica mais interessante. Em vez de seis pequenas variações praticamente iguais, ela usa o Negroni como referência para investigar amargor, dulçor, acidez, especiarias e aromas em construções bastante diferentes.
Para quem gosta de coquetelaria, vale começar pelo clássico antes de seguir viagem. Assim fica muito mais fácil perceber o que cada bartender decidiu preservar e, principalmente, o que resolveu mudar.
Serviço
Carta especial de Negronis | Pullman São Paulo Ibirapuera
Período: estendida até o final de outubro de 2026
Local: Bar do Pullman São Paulo Ibirapuera
Endereço: Rua Joinville, 515, Vila Mariana, São Paulo
Horário informado para a experiência: das 15h às 23h
Drinks: de R$ 48 a R$ 54
Instagram: @pullmanspibirapuera
Importante: as edições do Art & Negroni aconteceram em 17 e 24 de setembro e, portanto, já foram encerradas. A extensão anunciada refere-se à carta especial de coquetéis.