Brasil coloca 12 cafeterias entre as 100 melhores da América do Sul

 Brasil coloca 12 cafeterias entre as 100 melhores da América do Sul

O Brasil é uma potência na produção de café. Agora, um novo ranking tenta olhar para o que acontece do outro lado do balcão: como esse café está sendo torrado, preparado e servido nas cafeterias.

O país colocou 12 estabelecimentos entre as 100 melhores cafeterias da América do Sul em 2026, segundo a primeira edição sul-americana do projeto The World’s 100 Best Coffee Shops.

A lista foi apresentada durante a The Global Coffee Fair, em Quito, no Equador, depois de um processo que envolveu mais de 4,2 mil cafeterias, 300 jurados profissionais e 280 mil votos do público, segundo dados divulgados pela organização.

O resultado coloca o Brasil empatado com a Colômbia em número de cafeterias selecionadas, atrás apenas de Peru, Equador e Chile.

Chile tem a melhor cafeteria do ranking

O primeiro lugar da América do Sul ficou com a Eco Mapu Coffee, de Villarrica, no Chile.

Na segunda posição aparece a FANKØR, de Quito, no Equador, enquanto a colombiana Differente Coffee, de La Estrella, completa o pódio.

Quando o resultado é observado por países, o Peru lidera em número de estabelecimentos presentes no Top 100, com 18 cafeterias.

O Equador aparece com 15, seguido pelo Chile, com 13. Brasil e Colômbia têm 12 cada. A Argentina colocou dez estabelecimentos na lista; Bolívia e Venezuela, oito cada; Uruguai, três; e Paraguai, um.

É uma distribuição interessante porque mostra que a cultura contemporânea do café de especialidade na América do Sul não está necessariamente concentrada apenas nos maiores países produtores.

O que o ranking avalia?

A seleção faz parte do projeto internacional The World’s 100 Best Coffee Shops, promovido pela NEODRINKS.

Mais do que procurar simplesmente uma boa xícara, a iniciativa observa projetos que trabalham diferentes aspectos da experiência do café, incluindo qualidade, origem, torra, preparo e apresentação ao consumidor.

A participação de votação popular também precisa ser considerada na leitura do resultado. Um ranking que combina avaliação profissional e participação do público não funciona como uma prova técnica de cafés feita às cegas.

Ele captura também a experiência proporcionada pelas cafeterias e a relação construída com seus consumidores.

E talvez esteja justamente aí uma mudança importante no mercado.

Produzir um grande café já não encerra a história

Durante muito tempo, falar da excelência brasileira no café significava falar principalmente de lavouras, regiões produtoras, variedades e qualidade do grão.

A expansão das cafeterias de especialidade acrescentou novas etapas a essa conversa.

Origem continua sendo fundamental, mas torra, moagem, água, método, temperatura, extração e serviço determinam o que efetivamente chega à xícara.

Uma mesma matéria-prima pode resultar em experiências completamente diferentes dependendo dessas escolhas.

A presença de 12 cafeterias brasileiras no Top 100 sul-americano ajuda, portanto, a colocar o país também como consumidor e intérprete do próprio café, e não apenas como fornecedor de matéria-prima.

Cafeterias vão criar bebidas autorais

Depois da divulgação do ranking, a iniciativa ganha um segundo capítulo.

A DaVinci Gourmet, patrocinadora global do projeto, abriu uma ação para que cafeterias desenvolvam bebidas autorais utilizando ao menos um produto da marca.

As receitas podem ser cadastradas até 11 de outubro.

Entre 12 e 26 de outubro, os estabelecimentos participantes poderão incluir as criações temporariamente em seus cardápios e apresentá-las nas redes sociais.

O público poderá provar as bebidas e votar por meio de QR Code. A votação permanece aberta até 26 de novembro, com direito a um voto por pessoa.

As três receitas mais votadas serão anunciadas em 11 de dezembro e passarão a integrar o Signature Drinks Book da DaVinci Gourmet, ao lado de outras criações desenvolvidas pelas cafeterias participantes.

Quando o café deixa de ser apenas café

A criação de bebidas autorais também aponta para outra transformação dentro das cafeterias.

Espresso, coado e cappuccino continuam fundamentais, especialmente em casas dedicadas ao café de especialidade. Mas o balcão contemporâneo passou a incorporar ingredientes, técnicas e construções mais próximas da coquetelaria.

Frutas, xaropes, fermentados, especiarias, água gaseificada e diferentes texturas aparecem cada vez mais ao lado do café.

Há um cuidado importante nessa evolução: criatividade funciona melhor quando não esconde a matéria-prima. Uma bebida pode ser visualmente interessante e ter muitos ingredientes, mas, se a intenção é continuar falando de café, ele precisa manter alguma identidade dentro do copo.

É justamente esse equilíbrio entre origem, técnica e criatividade que torna interessante acompanhar a evolução das cafeterias sul-americanas.

O próximo passo será global. A edição mundial do The World’s 100 Best Coffee Shops 2027 está prevista para ser apresentada durante o CoffeeFest Madrid, entre 6 e 8 de março de 2027.

Ranking por países

Peru: 18 cafeterias
Equador: 15
Chile: 13
Brasil: 12
Colômbia: 12
Argentina: 10
Bolívia: 8
Venezuela: 8
Uruguai: 3
Paraguai: 1

Top 3 da América do Sul

1º Eco Mapu Coffee | Villarrica, Chile
2º FANKØR | Quito, Equador
3º Differente Coffee | La Estrella, Colômbia

Nota editorial: o material divulgado informa que 12 cafeterias brasileiras estão no Top 100, mas não apresenta os nomes desses 12 estabelecimentos. Por isso, eles não foram incluídos nesta matéria sem uma fonte que permita confirmar a relação completa.