Dia Internacional da Culinária Italiana: endereços paulistanos que mantêm viva a cozinha da mamma
Da massa fresca ao molho apurado, São Paulo celebra a herança italiana em restaurantes que transformam técnica, memória e afeto em pratos que atravessam gerações.
Desde que os primeiros imigrantes italianos chegaram a São Paulo, a cidade aprendeu a comer de outro jeito. Vieram o manjericão cultivado no quintal, o molho que cozinha sem pressa, a massa aberta à mão e, principalmente, a ideia de que comida é gesto de cuidado. Com o tempo, essa herança deixou de ser apenas memória de família para se tornar parte da identidade gastronômica paulistana.
No dia 17 de janeiro, quando se celebra o Dia Internacional da Culinária Italiana, a data convida a olhar para além dos rótulos e reencontrar casas que respeitam a essência da cozinha da mamma. São restaurantes e bares onde tradição não significa repetição, mas sim técnica bem executada, ingredientes escolhidos com rigor e receitas que seguem vivas porque continuam fazendo sentido à mesa.
A seguir, uma seleção de endereços em São Paulo que honram a culinária italiana em diferentes leituras, da clássica à autoral, sempre com raízes bem fincadas.
No Donna, o chef André Mifano revisita a Itália clássica com olhar próprio. A cozinha é precisa, elegante e direta. Pratos como o espaguete al pomodoro revelam que simplicidade exige técnica, enquanto preparações como o ossobuco alla milanese mostram domínio absoluto do tempo e do ponto.
Já o Lassù propõe uma experiência que une panorama e identidade. No alto de Santana, a casa combina a tradição italiana com ingredientes e referências brasileiras, criando pratos que dialogam com duas culturas sem perder coerência. A vista gira, mas a cozinha permanece firme em sua proposta.
A Ligúria ganha protagonismo no LIDO – Amici di Amici, onde o chef genovês Roberto Rebaudengo apresenta receitas pouco comuns no circuito italiano da cidade. Massas antigas, molhos de nozes, pesto tratado com respeito absoluto e uma leitura autoral que mantém fidelidade às origens.
No Mercado de Pinheiros, o Manduque Massas traduz a ideia de cantina contemporânea. Massas frescas artesanais, recheios criativos e um clima informal fazem da casa um endereço onde a tradição italiana encontra a vida cotidiana paulistana sem cerimônia.
Inspirado na Puglia, o Marena Cucina aposta em uma cozinha mediterrânea acolhedora e precisa. As massas artesanais e os ingredientes frescos reforçam uma leitura elegante da culinária do sul da Itália, reconhecida inclusive pelo Guia Michelin.
A Sicília aparece em tom de bar no Palermo, primeiro endereço do gênero no Brasil. Entre crudos, massas e coquetéis, a casa traduz o espírito informal e vibrante da ilha, onde comida e conversa caminham juntas.
Com foco em petiscos e pizzas, o Piccini Bar mostra como a cozinha italiana também se expressa no balcão. Croquetes, burratas e receitas pensadas para compartilhar reforçam o lado social da gastronomia.
Fechando o roteiro, o Ristorantino apresenta uma leitura sofisticada da tradição italiana. Técnica apurada, ingredientes nobres e uma carta de vinhos focada no Velho Mundo sustentam uma experiência que respeita o passado sem abrir mão de refinamento.
Celebrar o Dia Internacional da Culinária Italiana em São Paulo é, antes de tudo, reconhecer que essa cozinha ajudou a moldar a cidade. Em cada massa aberta à mão, em cada molho apurado com paciência, permanece viva a herança de quem ensinou São Paulo a sentar à mesa sem pressa.