Cápsulas já representam 30% do faturamento de café no Carrefour
O brasileiro ainda compra muito café tradicional e extraforte. Mas, quando a conta deixa de ser quantidade e passa a ser dinheiro gasto, as cápsulas já ficam com aproximadamente 30% do faturamento da categoria no Carrefour.
O dado ajuda a enxergar uma mudança interessante no mercado de café. Segundo números divulgados pela rede em outubro de 2026, cafés tradicionais e extrafortes continuam responsáveis por cerca de 70% do volume vendido. Ao mesmo tempo, formatos associados à conveniência e segmentos de maior valor agregado conquistam espaço no orçamento do consumidor.
As cápsulas são o exemplo mais evidente dessa transformação, impulsionadas, segundo o Carrefour, pela popularização das máquinas domésticas e pela praticidade do preparo.
Há ainda um movimento menor, mas importante, acontecendo em outra parte da prateleira: os cafés gourmet já respondem por aproximadamente 5% do faturamento da categoria.
Volume e faturamento contam histórias diferentes
Os dois números precisam ser lidos separadamente.
Dizer que tradicionais e extrafortes representam 70% do volume não significa que respondam necessariamente por 70% do dinheiro movimentado pela categoria.
Da mesma maneira, as cápsulas representarem 30% do faturamento não significa que correspondam a 30% do café vendido.
A diferença ajuda a entender o peso econômico desse formato.
Cápsulas trabalham com porções individuais e conveniência, características que mudam a relação entre quantidade de café comprada e preço pago pelo consumidor.
É também por isso que comparar apenas o valor da embalagem pode enganar. Para entender quanto custa realmente cada formato, é mais útil observar o preço por quilo ou, no caso das cápsulas, o custo de cada dose preparada.
Café gourmet começa a ocupar mais espaço
Outro dado divulgado pelo Carrefour mostra uma transformação dentro do próprio café torrado e moído.
As versões gourmet já representam cerca de 5% do faturamento de cafés na rede.
O Carrefour atribui o crescimento à maior oferta de marcas e produtos e afirma que a diferença de preço em relação às linhas mais populares vem diminuindo.
Segundo a empresa, cafés desse segmento que anteriormente chegavam a custar entre R$ 150 e R$ 200 vêm se aproximando dos valores praticados pelos extrafortes.
O material divulgado, porém, não especifica se esses valores correspondem ao preço por quilo, a determinada gramatura ou a outra referência de comparação. Por isso, o dado não permite calcular com precisão quanto essa diferença efetivamente diminuiu.
Ainda assim, a expansão do sortimento aponta para uma mudança importante: características como categoria, origem, torra e perfil sensorial começam a participar mais da escolha de um produto que, durante décadas, foi comprado principalmente por marca, intensidade e preço.
São Paulo e Rio lideram procura por cafés especiais e gourmet
A mudança também apresenta diferenças regionais.
Segundo o Carrefour, São Paulo e Rio de Janeiro lideram a procura por cafés especiais e gourmet dentro da rede.
Na sequência aparecem mercados do Centro-Oeste, com destaque para Brasília e Goiânia.
Minas Gerais apresenta um comportamento diferente.
Embora seja uma das regiões mais importantes da cafeicultura brasileira, o estado mantém, nas lojas do Carrefour, uma preferência maior pelas versões tradicionais e extrafortes.
É uma aparente contradição interessante.
Estar próximo da produção de café não significa necessariamente ter um mercado consumidor concentrado nos segmentos gourmet ou especial. Cultura de consumo, preço, hábitos familiares e disponibilidade no varejo também participam da decisão.
Gourmet e especial significam a mesma coisa?
Com mais opções nas prateleiras, essa distinção se torna cada vez mais importante.
Café gourmet e café especial não são automaticamente sinônimos.
As denominações podem estar associadas a critérios e sistemas de classificação diferentes. Por isso, encontrar “gourmet” na embalagem não basta, sozinho, para determinar origem, rastreabilidade ou qualidade sensorial de um café.
Para quem pretende começar a explorar a categoria, vale olhar além da frente do pacote.
Informações sobre origem dos grãos, espécie, produtor ou região, data e perfil de torra, processamento e notas sensoriais, quando disponíveis, ajudam a compreender melhor o que está sendo comprado.
O mesmo raciocínio vale para palavras como “forte” e “extraforte”. Elas fazem parte de uma linguagem bastante conhecida pelo consumidor brasileiro, mas intensidade não deve ser utilizada isoladamente como medida de qualidade.
A prateleira de café ficou mais complexa
O cenário apresentado pelo Carrefour mostra um consumidor convivendo com dois movimentos ao mesmo tempo.
De um lado, o café tradicional continua profundamente ligado ao cotidiano e concentra a maior parte do volume vendido.
Do outro, máquinas domésticas, cápsulas e uma oferta maior de cafés gourmet e especiais criaram novas possibilidades de compra.
Isso transforma até a maneira de comparar preços.
O pacote mais barato pode ter menor custo por quilo. A cápsula pode custar mais por dose, mas entregar rapidez e padronização. Um café de maior valor pode trazer origem e características sensoriais que interessam a outro perfil de consumidor.
Não existe uma única razão para comprar café.
E talvez seja justamente esse o dado mais relevante por trás dos números do Carrefour: a prateleira que durante muito tempo foi organizada principalmente entre tradicional e extraforte começa a abrigar consumidores que escolhem café também por formato, conveniência e perfil de produto.
Os números do café no Carrefour
70% do volume vendido ainda está concentrado em cafés tradicionais e extrafortes.
30% do faturamento da categoria já vem das cápsulas.
5% do faturamento corresponde aos cafés gourmet.
São Paulo e Rio de Janeiro lideram a procura por cafés especiais e gourmet.
Brasília e Goiânia aparecem entre os destaques do Centro-Oeste.
Minas Gerais mantém maior preferência pelas linhas tradicionais e extrafortes.
Os percentuais e comportamentos de consumo foram divulgados pelo Carrefour em outubro de 2026 e se referem às vendas da própria rede.