Brasileiro reduz volume de consumo e passa a buscar cafés de maior qualidade

 Brasileiro reduz volume de consumo e passa a buscar cafés de maior qualidade

Brasileiro reduz volume de consumo e passa a buscar cafés de maior qualidade

Alta de preços e maior interesse por procedência estimulam avanço dos cafés especiais

O consumo de café no Brasil registrou queda de 2,31 por cento entre novembro de 2024 e outubro de 2025. O volume passou de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas de 60 kg, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café.

A retração acontece em um cenário de pressão nos preços. No mesmo período, o reajuste médio ao consumidor final foi de 5,8 por cento. Mesmo com a redução no volume consumido, o hábito permanece forte. O país segue como o segundo maior mercado mundial e lidera o consumo per capita, com cerca de 1,4 mil xícaras por habitante ao ano.

Consumidor mais atento à qualidade

Com o café mais caro, especialistas observam uma mudança no comportamento de compra. Parte dos consumidores passou a avaliar melhor a bebida, demonstrando maior interesse pela procedência dos grãos e pelas características sensoriais.

Nesse cenário, ganham espaço os cafés especiais. A categoria reúne grãos que atingem pelo menos 80 pontos em critérios internacionais de qualidade, avaliados por atributos como aroma, equilíbrio, doçura e harmonia de sabores.

Para Marcelo Moscofian, CEO do Café Santa Monica, o cenário não indica perda de relevância da bebida, mas uma transformação na forma de consumo.

“A bebida continua presente na rotina, mas o consumidor está mais atento ao que escolhe. Existe maior disposição para experimentar e entender diferenças, o que aproxima o café especial do dia a dia”, afirma.

Mesmo com a redução no volume, o faturamento da indústria cresceu 25,6 por cento, chegando a cerca de R$ 46,24 bilhões.

Evolução do mercado

A mudança também acompanha a trajetória do Café Santa Monica, marca que completa 40 anos no mercado. Segundo Arthur Moscofian Jr., fundador da empresa, o interesse por qualidade vem se ampliando entre os consumidores.

“Sempre acreditamos que o brasileiro poderia optar por cafés melhores no dia a dia. Hoje percebemos mais curiosidade em entender origem e sabor”, afirma.

Para ele, o momento favorece uma relação mais consciente com a bebida. “Quando a compra deixa de ser automática, as pessoas passam a perceber aroma, sabor e equilíbrio. O café especial não precisa ser complexo. A diferença está na qualidade do grão e no cuidado com o preparo”.

Como começar a explorar cafés especiais

Para quem quer iniciar nesse universo, Arthur Moscofian Jr. recomenda provar o café sem açúcar. Segundo ele, a prática ajuda a identificar aromas e características naturais da bebida.

“O café já possui doçura própria. Quando a pessoa experimenta sem açúcar pela primeira vez, começa a entender melhor o que está na xícara”.

Outra sugestão é experimentar microlotes e cafés de diferentes regiões. A comparação permite perceber como fatores como altitude, terroir e processamento influenciam aroma, acidez e corpo da bebida.

Perfis sensoriais mais equilibrados, com notas achocolatadas, leve presença de amêndoas e dulçor natural, costumam facilitar a primeira experiência de quem começa a explorar cafés especiais.