Popularização do café especial impulsiona a evolução e a visibilidade do latte art
Crescimento do consumo de cafés de qualidade e força das redes sociais transformam a técnica em símbolo da cultura do café contemporâneo
O avanço do café especial no Brasil tem impulsionado não apenas a qualidade da bebida servida, mas também a valorização da experiência visual. Nesse contexto, o latte art ganhou protagonismo e passou a ocupar um papel central na cultura das cafeterias. Mais do que um detalhe estético, a técnica se consolidou como um indicador de cuidado, domínio técnico e identidade no preparo de bebidas à base de espresso.
Latte art é a técnica de criar desenhos na superfície de bebidas como latte, cappuccino e flat white a partir da interação entre a crema do espresso e a microespuma de leite. O processo exige controle preciso da vaporização, textura adequada do leite e domínio do fluxo do pitcher durante o despejo. Os desenhos podem surgir pelo free pour, feito apenas com o movimento da mão, ou pelo etching, que utiliza ferramentas para criar contornos mais detalhados. Corações, rosettas e tulipas tornaram-se ícones reconhecíveis desse universo.
Embora tenha origem no desenvolvimento do espresso e da vaporização do leite na Itália, no início do século XX, o latte art ganhou projeção global a partir das décadas de 1980 e 1990. Em Seattle, o barista David Schomer ajudou a padronizar o uso da microespuma, influenciando gerações de profissionais. Na Itália, nomes como Luigi Lupi contribuíram para organizar o estilo visual dos cappuccinos, criando uma base técnica que segue relevante até hoje.
Para André Henning, sócio-fundador da Go Coffee, o impacto da técnica vai além da estética. “Latte art traduz, de forma imediata, a habilidade do barista e o cuidado no preparo. Em um mercado cada vez mais competitivo, a apresentação da bebida faz parte do serviço e influencia diretamente a percepção de qualidade e a fidelização. Ela une técnica, narrativa e experiência”, afirma.
As tendências para 2026 apontam a expansão do latte art em três frentes principais. A primeira é a consolidação dos leites vegetais barista edition, desenvolvidos para garantir textura estável e boa formação de desenhos. A segunda envolve o uso de suplementos funcionais, como proteínas e compostos energéticos, sem comprometer a microespuma. A terceira é a adoção do latte art como ferramenta de branding, ajudando cafeterias a reforçarem identidade visual e posicionamento.
Esse movimento acompanha a profissionalização do setor, com crescimento de cursos, workshops e competições regionais inspiradas no World Latte Art Championship. Ao mesmo tempo, bebidas híbridas ampliam o repertório visual dos baristas. Matcha latte, dirty chai e versões geladas com espuma estabilizada passam a integrar o cardápio e as redes sociais, ampliando o alcance da técnica.
O crescimento do mercado de café especial reforça esse cenário. O setor movimentou cerca de US$ 100 bilhões em 2024 e deve alcançar entre US$ 180 e 248 bilhões até o início da próxima década, com crescimento anual estimado em torno de 10 por cento. A forte presença do latte art nas redes sociais também impulsiona sua popularidade, especialmente entre consumidores de 18 a 39 anos, que valorizam experiências visuais, consistência no preparo e transparência na cadeia do café.
Além de influenciar tendências de consumo, o latte art gera impacto direto na valorização profissional dos baristas. Competições, treinamentos e visibilidade digital reforçam o papel desse profissional como parte central da experiência do consumidor. Para o público, a arte na xícara funciona como porta de entrada para o universo do café especial, despertando curiosidade e interesse por métodos, origens e sabores.
“Na Go Coffee, buscamos incentivar continuamente nossos colaboradores, seja por meio de cursos internos, concursos ou participação em competições. O latte art é uma expressão técnica que faz diferença no nosso negócio e na forma como o cliente percebe a bebida”, completa André Henning.
Fundada em 2017, em Curitiba, a Go Coffee se consolidou como uma das principais redes de cafés especiais do país. Atualmente, está presente em todos os estados brasileiros, com cerca de 600 unidades entre operações em funcionamento e lojas já negociadas. A marca comercializa mensalmente mais de uma tonelada de café, com grãos oriundos principalmente do Sul de Minas e da Alta Mogiana, e mantém um cardápio pensado para diferentes perfis de consumo e momentos do dia.